Dentro do
universo das mais de 500 marcas que participarão da 34ª ExpoBento e da 21ª
Fenavinho, o espaço dedicado às agroindústrias tem se consolidado para além de
um lugar de descoberta de sabores. Feira e festa como essas, que correm até 14
de junho, se transformaram em vitrines essenciais à valorização do produtor
rural e da sua consequente permanência no meio, estimulando a própria sucessão
familiar no campo.
A ExpoBento,
mais uma vez, mostra esse potencial no Parque de Eventos. Neste ano, serão 69
expositores oriundos de 34 municípios, exibindo uma produção que vai de queijos
e embutidos a pães, cucas e vinhos, passando por doces, geleias, conservas,
molhos, antepastos, entre outros. Essa variedade é uma das marcas do perfil dos
expositores, todos eles de agroindústrias familiares formais, inclusas no
Programa Estadual da Agroindústria Familiar (PEAF), o que significa que atendem
à legislação sanitária vigente e empregam, predominantemente, mão de obra
familiar.
Por trás de
cada agroindústria presente na feira, há histórias de trabalho, dedicação,
superação e tradição familiar. “Muitas agroindústrias da agricultura familiar
carregam receitas e conhecimentos passados de geração em geração, preservando
sabores, costumes e a identidade cultural das comunidades rurais. Cada produto
representa o esforço das famílias que vivem no campo e que transformam sua
produção em alimentos de qualidade, agregando valor ao que produzem na
propriedade rural”, opina Jocimar Rabaioli, coordenador de Feiras da Federação
dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS). A entidade,
ao lado do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, da Secretaria de Desenvolvimento
Rural do Estado e da Emater/RS-Ascar, trabalha para desenvolver políticas
públicas voltadas à agroindustrialização familiar e ao incentivo à participação
em eventos de promoção comercial, como a ExpoBento. Neste ano, novamente, o
governo do Estado está subsidiando a participação das agroindústrias na feira.
Para
Rabaioli, cada produto exposto pelos agricultores representa o esforço das
famílias que vivem no campo e transformam sua produção em alimentos de
qualidade, agregando valor ao que produzem na propriedade rural. “Em muitos
casos, os empreendimentos nasceram como uma alternativa de renda para manter a
família no meio rural e garantir oportunidades para os filhos permanecerem no
campo. Mais do que alimentos e bebidas, os produtos apresentados na feira
carregam memória, cultura, afeto e orgulho de quem produz com cuidado e
tradição”, pondera.
As feiras
comerciais funcionam como um incentivo à sucessão rural para as famílias que
tiram o sustento da terra. Segundo Rabaioli, elas criam perspectivas de futuro
e estimulam a permanência das novas gerações no meio rural. Ao valorizar
cultura, tradição e saberes passados entre gerações, as feiras ajudam a
fortalecer a identidade das comunidades rurais. “A feira é uma ferramenta de
desenvolvimento rural, pois aproxima produtores e consumidores, incentiva o
empreendedorismo e demonstra que é possível viver com dignidade, qualidade de
vida e oportunidades no campo”, avalia. Comercialmente, a participação das
agroindústrias nas feiras também se mostra essencial. Isso permite que, além de
apresentar produtos diretamente ao consumidor final, os empreendimentos
fortaleçam suas marcas, ampliem vendas e conquistem novos clientes. A rede de
contatos estabelecida nesses encontros é outro dos trunfos. “Além da
comercialização durante o evento, muitos expositores conseguem estabelecer
parcerias comerciais, contatos com mercados, distribuidores e lojistas, criando
oportunidades que seguem após a feira”, observa Rabaioli.
Para ele,
esse contato direto com o consumidor também implica em algo que evidencia o
diferencial das mercadorias oriundas do campo: a origem e a qualidade dos
produtos. Um elemento e tanto diante da crescente busca por um consumo mais
consciente de alimentos. “Os produtos coloniais e artesanais vivem um momento
de grande valorização, impulsionados pela busca dos consumidores por alimentos
com qualidade, procedência, sabor diferenciado e identidade cultural”, diz
Rabaioli.
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