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UMA EXPERIÊNCIA ÚNICA NO CORAÇÃO DE BENTO GONÇALVES

22ª Fenavinho apresenta trajes que vestem a memória dos 60 anos da festa

22ª Fenavinho apresenta trajes que vestem a memória dos 60 anos da festa 13/10/2026

A
partir dos pilares memória, território e vinho, a estilista caxiense Vivian
Boff desenhou os trajes que marcam a emblemática edição de 60 anos da
Fenavinho, de modo a vestir as soberanas com a memória criada pela festa. A
imperatriz do vinho Alana Foresti e as damas de honra Jéssica Bellé e Bianca
Dall Agnol exibirão vestimentas cuja proposta destaca a cor vinho com
predominância, amparada por tons natural e champanhe, num conceito que conecta
a trajetória ao atual momento da festa. “Mais do que se inspirar em um vestido
específico da primeira corte, buscamos compreender a essência dos trajes que
fizeram parte dessa trajetória e traduzi-la para a atual corte, mantendo a
identidade histórica da Fenavinho, mas com uma linguagem própria e
contemporânea”, diz a designer de moda, conhecida pela criação de trajes para
soberanas e festas regionais que unem pesquisa, identidade cultural, modelagem,
bordado e valorização do trabalho artesanal.

Foi
dessa mesma forma que ela concebeu a indumentária do trio da 22 Fenavinho –
eleito durante a 21ª Fenavinho e 34ª ExpoBento. O ponto de partida foi
empreender uma pesquisa histórica, observando a trajetória da festa, os trajes
das soberanas e as referências da imigração italiana e da cultura vitivinícola
de Bento Gonçalves. “A intenção foi preservar essa memória, mas trazer uma nova
interpretação. Talvez o maior desafio e, ao mesmo tempo, a parte mais bonita do
projeto tenha sido fazer com que os novos trajes carreguem 60 anos de história
sem deixarem de representar o momento atual da Fenavinho”, observa Vivian.

Para
a composição do traje clássico, ela elegeu o crepe mousson vinho, um tecido
elegante, mas que garante movimento e leveza às saias, enquanto o crepe
georgette, em tom natural, foi escolhido para oferecer volume e fluidez às
mangas. O zibeline champanhe aparece nos barrados e detalhes, valorizando os
bordados e o trabalho artesanal. “O vinho representa a essência da Fenavinho; o
natural remete à memória e às origens; e o champanhe acrescenta a luminosidade
e a solenidade que os 60 anos da festa merecem”, explica.

 

Bordados
homenageiam imperatrizes

O
vestido da imperatriz foi desenvolvido para ter maior imponência e riqueza de
detalhes, com cintura marcada, saia ampla, mangas volumosas, sobreposições e
bordados. Já os vestidos das damas de honra seguem a mesma identidade, mas de
forma mais leve e delicada, garantindo unidade entre os três trajes. Um dos
destaques no vestido de Alana é a sobreposição frontal em champanhe, que reúne
elementos da tradição vitivinícola, como ramos de parreira, cachos de uva,
garrafa e taças de vinho. Feito manualmente, o bordado também homenageia todas
as imperatrizes do vinho, com os nomes das representantes desde a primeira
edição até a atual.

A
peça ainda traz os nomes de Moysés Michelon, primeiro presidente da Fenavinho,
e da atual diretora, Janaine Arpini, conectando diferentes momentos dessa
trajetória. Os trajes incorporam técnicas artesanais transmitidas entre
gerações, como o filé – elaborado sobre uma tela tramada em forma de rede e
posteriormente rebordada à mão – e o macramê – construído manualmente através
do entrelaçamento e de nós feitos com fios. Nos vestidos das damas, os bordados
aparecem de forma mais sutil, com folhas, ramos e cachos de uva, enquanto o
barrado faz referência aos 60 anos da Fenavinho. “Dessa forma, os trajes unem
história, artesanato e vitivinicultura. Mais do que elementos decorativos, cada
bordado e cada técnica manual ajudam a contar uma parte da história da Fenavinho
e da herança cultural dos nossos antepassados”, diz a estilista, para quem o
trabalho manual está entre os grandes destaques das composições. “Buscamos
valorizar saberes que fazem parte da nossa herança cultural e que foram
trazidos e preservados pelos nossos antepassados, como o filé, o macramê e o
bordado manual em linha”.

 

Trajes
de passeio

Além
do traje típico oficial, as soberanas da Fenavinho terão um traje de passeio,
desenvolvido para oferecer mais leveza e versatilidade, porém, sem perder a
identidade da festa. O vestido da imperatriz será confeccionado
predominantemente em crepe Grace, com saia e corset em bordô e mangas, gola e
barrado em tom natural. Os bordados, feitos inteiramente à mão com linhas e
pedrarias, reúnem arabescos, ramos de parreira, cachos de uva e outros
elementos relacionados ao universo do vinho. Entre os destaques está o lenço em
filé, tramado e bordado manualmente e finalizado com franjas de seda. A
produção também inclui um avental com bordados em fios dourados e pedrarias,
acrescentando sofisticação à composição. Os trajes de passeio das damas seguem
a mesma proposta, com predominância do bordô e detalhes em tom natural. Sem a
gola utilizada no modelo da imperatriz, as peças ganham um desenho mais leve,
mantendo os bordados manuais com arabescos, parreiras e cachos de uva.

Filha
de vitivinicultores, Vivan cresceu ligada à cultura da uva e do vinho e
desenvolveu uma relação especial com a festa. A ligação com a Fenavinho se
fortaleceu em 2009, quando assistiu à Ópera do Vinho, em Bento Gonçalves. Ao
pesquisar a trajetória da celebração para desenvolver os trajes, outro elemento
tornou o projeto ainda mais significativo: a descoberta de que Moysés Luiz
Michelon, primeiro presidente da Fenavinho, nasceu em São Luiz da Nona Légua,
mesma localidade onde a estilista também nasceu. “De alguma maneira, senti que
existia um elo entre aquela história iniciada há 60 anos e o trabalho que
chegou às minhas mãos. Como estilista e filha de vitivinicultores, poder
contribuir para os 60 anos da Fenavinho é algo que certamente ficará marcado na
minha trajetória profissional e também na minha história pessoal. Gratidão,
Bento Gonçalves”, comenta.

 

Elementos
da viticultura se transformam em joias para as soberanas

Para
compor os vestidos, a corte dos 60 anos da Fenavinho também contará com um
conjunto de colar e brincos criados pela Enojoias em metal dourado e cristais
naturais formados no próprio vinho. Para a imperatriz, o colar tem como
elemento central uma taça, acompanhada por folhas, uvas, gavinhas e cristais
naturais de bitartarato de potássio. Os brincos apresentam uma flor ampla e
vazada, finalizada com uma gota que também incorpora os cristais. Já os
conjuntos das damas acrescentam as barricas à composição, fazendo referência às
cantinas e ao processo de elaboração do vinho, com os brincos em formato de
flor vazada e elemento circular com cristais. “A inspiração parte de elementos
presentes na cultura vitivinícola de Bento Gonçalves e na história da Fenavinho.
Cada elemento faz referência a uma parte dessa história e ajuda a construir o
percurso que começa na videira e chega à taça”, destaca a designer responsável,
Patrícia Pedrotti.

O
desenho das joias parte de linhas orgânicas, curvas e estruturas de metal
entrelaçado, inspiradas nos ramos e troncos da videira. As gavinhas percorrem
os pingentes e funcionam como elementos de ligação entre folhas, uvas,
barricas, taças e cristais. A escolha dos materiais também carrega significado.
O metal dourado reforça o caráter cerimonial e celebrativo das peças destinadas
à corte. Já os cristais estabelecem uma conexão direta com o vinho, uma vez que
são originados naturalmente durante a vinificação ou o armazenamento, a partir
da presença de ácido tartárico e potássio. Desde 2015, a Enojoias incorpora
essa matéria às suas criações. “É uma ligação direta entre o vinho e a joia,
porque os cristais não são uma imitação do vinho: eles se formam nele”,
observa.

A
coleção foi concebida, portanto, para contar uma história. Nas peças das damas,
a narrativa aparece de maneira quase sequencial: a videira dá origem às folhas
e às uvas; as barricas remetem à elaboração; a taça representa o vinho e a
celebração; e os cristais naturais materializam o próprio processo do vinho em
uma nova linguagem. Na criação da imperatriz, essa trajetória é concentrada em
torno da taça, elemento central da composição, cercado por folhas, uvas e
gavinhas.

































A
coleção, ainda, estabelece uma conexão com símbolos e referências culturais de
Bento Gonçalves. As flores vazadas dos brincos são inspiradas em elementos do
crochê, da renda e do bordado, em uma interpretação visual do verso “Bento
Gonçalves querida, bordada de parreirais”, presente no hino do município. As
próprias peças também dialogam com a história da festa. “A coleção foi criada
para registrar os 60 anos da Fenavinho por meio dos elementos que compõem a
origem e a continuidade da festa. A história da Fenavinho está ligada à cultura
do vinho, à viticultura, às famílias produtoras, às cantinas, às comunidades do
interior, aos desfiles e à representação da corte. As peças apresentam esse
percurso: videira, uvas, elaboração, vinho, cristais naturais e peças,
conectando o trabalho que começa nos parreirais à celebração pública
representada pela corte”, diz.



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